Impactos que o rompimento da barragem em Brumadinho pode trazer à região de Sorocaba

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Vimos em todo o Brasil (e além de nossas fronteiras) grande emoção perante ao rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho (MG), responsável pela companhia Vale. As consequências negativas causadas pela enxurrada de lama tóxica é imensurável. Segundo a ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil), o impacto “será sentido por anos”.

A dúvida que buscamos esclarecer é: até que ponto esse crime pode interferir na região de Sorocaba?

Iremos, a princípio, abordar questões ambientais envolvidas.

Todos os animais vivem em uma interação em rede, criando co-dependências entre eles. Quando temos um impacto tão significativo como este, abre-se uma fenda nesta rede, pois há falta de alimentos, falta de habitat, até mesmo extinção de espécies. Como Paulo Ceccarelli, analista ambiental, afirma: “Todos os animais estão interagindo, uma espécie que é extinta pode levar com ela outras dez”.

Um agravante desse impacto é em relação a cadeia alimentar. Os rejeitos se espalham por solo e água e podem acabar na mesa do almoço. Como exemplo, de 2015, quando o rio Doce foi morto pela mesma companhia, a lama alcançou o oceano; agora imagine junto com oceanógrafo Nery Conti Neto: “Vamos supor que tenha um peixinho que se alimenta de uma alga que tenha esses metais. Um peixe grande vai comer vários peixes pequenos, que comeu várias algas. Como somos os últimos predadores, acumulamos muito mais metais que os outros. E esses metais pesados podem causar câncer, má formação, …”.

A interferência de um impacto, como este, sob a qualidade de vida dos animais, pode vir a refletir na saúde tanto destes quanto na nossa. Exemplificando novamente por meio do crime em Mariana (MG), afirma a bióloga Márcia Chame: “Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”. Com isso, Márcia reflete o rompimento da barragem em Mariana como um dos motivos que contribuíram para o surto de febre amarela em Minas Gerais.

Esses tópicos garantem que crimes ambientais como este não impactam apenas pontualmente. Suas consequências, muitas ainda não confirmadas e conhecidas, são sentidas a quilômetros de distância e anos a frente. Será necessário um longo tempo de estudo para dimensionar os resultados. A certeza que temos é que seguimos o caminho da destruição de nosso país, reconhecido pela sua exuberante natureza, agora sob um horizonte de lama.

 

 

Foto utilizada: Cavex.

Fonte: G1; G1; G1, Estadão.

 

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