Engenharia simples: como um brinquedo pode salvar vidas

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Centenas de milhões de pessoas morrem devido a existência de doenças no ambiente em que vivem. Ao longo dos anos, a quantidade de mortos devido a elas diminui e, felizmente, os procedimentos para diagnósticos e cura estão cada vez mais acessíveis, cada vez mais eficientes.

Esse avanço acontece devido ao trabalho de centenas de milhares de pessoas que atuam firmemente para o bem-estar das comunidades que as cercam. Certas pessoas atingem dezenas; outras, centenas; mas Manu Prakash e sua equipe conseguiram atingir possivelmente centenas de milhares de vidas.

Em 2016, Manu Prakash, possuía 36 anos, uma equipe de alunos e muita força de vontade. O seu objetivo como bioengenheiro era – e ainda é –  construir ferramentas eficientes e de baixo custo. Ele buscava, assim, ajudar principalmente as comunidades carentes ao redor do globo. Nas suas próprias palavras, “…a cada zero que é acrescentado no custo de um movimento científico, centenas e milhares e milhões e bilhões de pessoas deixam de participar”¹.

Prakash apresentando a Paperfuge
Fonte: MNN

Com isso em mente, Manu e sua equipe desenvolveram uma ferramenta muito eficiente e inusitada. Batizada de Paperfuge e baseada em um brinquedo infantil, a engenhoca consiste em um círculo de papel fixado por 4 cordas ligadas em dois tubos, que, quando puxados, fazem o círculo girar a aproximadamente 20.000 rotações por minuto. Tal invenção fez com que os diagnósticos da Malária na África se tornasse mais rápidos e mais acessíveis, fatores primordiais para que a doença seja combatida num lugar onde a ajuda humanitária é escassa.

Outra ferramenta desenvolvida por Manu e sua equipe foi o Foldscope, um microscópio feito basicamente de papel que custa menos de um dólar e permite ampliar uma imagem em até 2.000 vezes. Contando com uma bateria que dura em média 50 horas, o equipamento é resistente a quedas, extremamente leve e cabe no bolso. A ferramenta é impressionante e, de acordo com Prakash, “Você pode molhá-lo, pisar e pular nele e jogá-lo da altura de um prédio de três andares”².

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Fonte: TED

Dessa forma, com esses dois equipamentos em conjunto, o diagnóstico da malária em regiões sem energia elétrica e de difícil acesso, se tornam possíveis. Primeiramente, o analista deve recolher uma amostra de sangue, coloca-lá na paperfuge e puxar os tubos por aproximadamente 10 minutos. Depois disso, o sangue deve estar completamente separado em duas partes – uma vermelha e outra translúcida.

Então, subsequentemente, coloca-se em uma placa de petri amostra suspeita de possuir o vírus e, utilizando o foldscope, são analisadas as fases do sangue. Por diferença de densidade, o vírus da malária pode ser encontrado exatamente na divisa entre as fases vermelha e translúcida da amostra. Notoriamente, o processo é simples e, se realizado por um indivíduo competente, pode agilizar imensamente o diagnóstico da doença.

A invenção de Manu Prakash não é apenas um serviço à humanidade, é também uma lição de inovação e de como soluções simples podem surtir efeitos gigantescos. Baseando-se em um brinquedo de criança, Manu mostra como qualquer fonte de informação pode ser relevante se avaliada e entendida na sua totalidade. Existem mecanismos acontecendo a todo momento na volta da vida cotidiana. Estruturas simples e complexas que podem ser adequadas e utilizadas para o bem da comunidade. Basta ter a sensibilidade para ver e a sabedoria para moldar. O avanço e o progresso nos cercam, tempos brilhantes estão por vir.

Fonte: Stowers Institute

*1 e 2 tradução livre

Fontes: BBC; BBC; MacArthur Foundation; Mark Rober (Youtube);

Imagem em destaque: TED;

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